O Tocantins registrou 1.593 casos de picadas de serpentes desde 2024. Apenas nos três primeiros meses de 2026, foram 200 novos registros. O levantamento foi realizado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) e reflete o aumento do contato entre humanos e animais silvestres em áreas urbanas e rurais.
Os dados mostram que em 2024 ocorreram 723 casos, em 2025 foram 670 casos e, entre 1º de janeiro e 31 de março de 2026, 200 casos. Uma das vítimas foi Asafe Pereira de Sousa, de 6 anos, que foi picado por uma jararaca e precisou ficar internado por 11 dias. Sua mãe descreveu a recuperação como um ‘verdadeiro milagre’.
Parte dos atendimentos às vítimas é realizada no Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), em Araguaína. Em 2025, a unidade atendeu 75 vítimas de acidentes com cobras. Segundo a médica Alexsandra Rossi, a maioria dos casos foi causada por serpentes do tipo botrópico, como jararaca, jararacuçu, urutu, cotiara, cruzeira e caiçara.
Além disso, foram registradas picadas de cascavel e cobras conhecidas como corais verdadeiras. Alexsandra destacou que a maioria das vítimas são adultos jovens, na faixa dos 20 aos 40 anos, frequentemente em atividades laborais ou de lazer quando ocorreram os acidentes.
Dos 1.593 casos de picadas de serpentes, 1.205 vítimas eram do sexo masculino e 388 do sexo feminino. Os dados por faixa etária incluem: 15 vítimas com menos de 1 ano, 33 de 1 a 4 anos, 84 de 5 a 9 anos, 100 de 10 a 14 anos, 97 de 15 a 19 anos, 342 de 20 a 34 anos, 400 de 35 a 49 anos, 341 de 50 a 64 anos, 158 de 65 a 79 anos e 23 com mais de 80 anos.
Em caso de acidentes, a orientação é procurar atendimento médico rapidamente, pois o uso precoce do soro antiofídico reduz o risco de complicações. Alexsandra também ressaltou a importância da hidratação, desde que a pessoa esteja consciente e sem dificuldades para engolir.
A veterinária Jenniffer Rodrigues Fernandes explicou que as serpentes desempenham um papel ecológico fundamental, especialmente no controle de roedores. Ela recomendou que, ao encontrar uma serpente, as pessoas acionem o Batalhão Ambiental, a Polícia Ambiental ou o Corpo de Bombeiros, que são treinados para recolher esses animais com segurança.
As orientações de segurança incluem manter pelo menos dois metros de distância ao encontrar uma serpente em áreas de mata e usar botas de cano alto e caneleiras em áreas rurais. Caso uma serpente entre em uma residência, é recomendado isolar o cômodo e manter vigilância sem se aproximar do animal.


