O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), utilizou uma aeronave de uma empresa ligada a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, em 4 de julho de 2025. A viagem foi de Brasília (DF) a Marília (SP), conforme reportagem publicada no dia 1° de abril de 2026.
O voo foi identificado a partir do cruzamento de dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) e do Registro Aeronáutico Brasileiro. No mesmo dia, seguranças do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de São Paulo foram deslocados para Ribeirão Claro (PR), onde fica o resort Tayayá, a 150 quilômetros de Marília.
Procurado, o ministro Dias Toffoli não se manifestou. A defesa de Vorcaro também optou por não comentar a publicação.
A aeronave pertence à Prime Aviation, empresa de compartilhamento de bens de luxo da qual Vorcaro era sócio por meio do fundo Patrimonial Blue. Essa mesma aeronave teria sido utilizada pelo ministro Alexandre de Moraes em pelo menos três ocasiões para viagens a São Paulo, segundo a mesma reportagem.
O gabinete de Moraes se manifestou na ocasião, afirmando que as informações eram ilações falsas. “As ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas. O Ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fábio Zettel, a quem nem conhece”, disse o gabinete.
A Prime Aviation também foi procurada, mas informou que não divulga dados sobre os usuários das aeronaves por questões de confidencialidade dos contratos.
Toffoli é sócio da empresa Maridt, que vendeu sua participação no resort Tayayá para um fundo do cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel. Ambos estão presos em regime fechado por suspeitas de fraudes no escândalo do Banco Master.
Em novembro de 2025, Toffoli viajou em um jatinho particular com um dos advogados do caso Master para assistir à final da Libertadores da América. O caso logo depois cairia nas mãos do próprio Toffoli por meio de sorteio no STF. O ministro deixou a relatoria do caso Master meses depois, após a Polícia Federal entregar um relatório ao presidente do Supremo, Edson Fachin, sobre sua relação com Vorcaro.


