Documentos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) revelam que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, utilizou uma aeronave da empresa Prime Aviation em 4 de julho de 2025. A empresa estava ligada ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Os registros mostram que Toffoli entrou no terminal executivo do aeroporto de Brasília às 10h. Dez minutos depois, o avião de prefixo PR-SAD decolou com destino a Marília, cidade natal do ministro. Na mesma data, seguranças do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região foram enviados para Ribeirão Claro, onde se localiza o resort Tayayá, frequentado por Toffoli e situado a cerca de 150 quilômetros de Marília.
O deslocamento dos seguranças ocorreu a pedido do STF para atender uma autoridade. A reportagem da Folha de S.Paulo também apontou que empresas ligadas à família de Toffoli foram sócias de uma rede fraudulenta de fundos do Banco Master, o que levou o ministro a se afastar da relatoria do caso no STF.
Toffoli teve participação societária no Tayayá até o ano passado, ao lado de Fabiano Zettel, associado a Vorcaro. As cotas estavam vinculadas à Maridt Participações, do ministro, e ao fundo Arleen, de Zettel.
Os dados ainda mostram que a mesma aeronave PR-SAD foi utilizada em voos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes em viagens para São Paulo. Registros da Anac indicam dez entradas de Toffoli no terminal executivo de Brasília ao longo de 2025. Em ao menos seis ocasiões, foi possível associar os horários a voos específicos, em cinco delas, aeronaves pertencentes a empresários.
Entre os casos, há voos em aeronaves ligadas à empresa Petras Participações, cujo quadro societário inclui Paulo Humberto Barbosa, atual dono do Tayayá. Em um desses episódios, em 17 de junho, o avião partiu de Brasília para Ourinhos, o aeroporto mais próximo do resort. Outro registro aponta uma viagem em aeronave do empresário Luiz Pastore, dono da Ibrame, em abril de 2025, com destino ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
A Prime Aviation informou que não divulga dados sobre usuários de suas aeronaves por questões de confidencialidade e em respeito à legislação de proteção de dados. A reportagem também afirma que o uso de jatos privados não se restringe a Toffoli, já que levantamento indica que Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, foram registrados em voos de aeronaves ligadas a empresas de Vorcaro em diferentes ocasiões.


