O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, entraram em atrito recentemente, trocando críticas públicas. O desentendimento começou após Trump chamar o papa Leão XIV de ‘fraco’ por condenar a guerra no Irã, o que levou Meloni a defender o pontífice.
Em um comunicado, Meloni afirmou: ‘Considero inaceitáveis as palavras do presidente Trump em relação ao Santo Padre. O papa é o líder da Igreja Católica, e é correto e natural que ele peça paz e condene todas as formas de guerra.’ A resposta de Trump veio em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, onde expressou estar ‘chocado’ com a postura da líder italiana e questionou sua coragem.
O distanciamento entre os dois começou meses antes, com analistas sugerindo que Meloni buscava sinalizar um afastamento de Trump em meio ao aumento da impopularidade de ambos na Itália. Meloni sempre foi vista como uma das líderes europeias mais próximas de Trump, compartilhando posições em temas como imigração e críticas a agendas progressistas.
A aproximação entre Meloni e Trump começou em 2018, quando ela recebeu Stephen Bannon, ex-conselheiro de Trump, em uma conferência na Itália. Em 2025, Meloni foi a única líder europeia presente na posse de Trump, sendo frequentemente elogiada por ele.
No entanto, a relação começou a se deteriorar em abril do ano passado, quando Trump anunciou tarifas comerciais que afetaram aliados europeus, incluindo a Itália. Apesar disso, Meloni se reuniu com Trump em Washington, onde elogios mútuos foram trocados.
A crise se intensificou em janeiro, quando Trump defendeu a anexação da Groenlândia, proposta rejeitada por países europeus. Meloni, ao ser questionada, tentou equilibrar um tom conciliador e firme, afirmando que não acreditava em uma ação militar dos EUA na Groenlândia.
Em fevereiro, após um ataque dos EUA ao Irã, a Itália se viu em uma situação delicada, com o ministro da Defesa precisando ser resgatado. A oposição italiana criticou Meloni, que passou a condenar a guerra e declarou que a Itália não participaria do conflito. Além disso, Meloni se recusou a permitir que caças dos EUA utilizassem uma base aérea na Sicília para operações no Irã.
Recentemente, Meloni anunciou que a Itália não renovaria um acordo de defesa com Israel, uma decisão que analistas acreditam ter sido motivada mais pela política interna do que por uma mudança estratégica. O ministro das Empresas e do Made in Italy, Adolfo Urso, afirmou que as relações entre os EUA e a Itália não serão abaladas pela controvérsia envolvendo o papa.
“‘Itália e Estados Unidos são países aliados e mantêm sua relação e aliança dentro das instituições internacionais’, disse Urso.”
Trump, por sua vez, insistiu que a relação entre os dois países se deteriorou, afirmando: ‘Ela tem sido negativa. Qualquer um que se recusou a nos ajudar nessa questão do Irã não tem mais o mesmo relacionamento conosco.’
Por outro lado, Mariangela Zappia, ex-embaixadora da Itália nos EUA, afirmou que a crise pessoal entre Meloni e Trump não deve afetar as relações entre os dois países, ressaltando que a Europa ainda considera os EUA um aliado histórico.

