A guerra na Ucrânia entrou em uma nova fase, com máquinas substituindo soldados em missões de alto risco. O uso crescente de drones e robôs terrestres tem permitido a Kiev realizar operações sem expor diretamente suas tropas.
Militares ucranianos afirmam que, em uma operação realizada no ano passado, uma posição inimiga foi tomada e soldados russos capturados sem disparar um único tiro. Mykola “Makar” Zinkevych, comandante da Terceira Brigada de Assalto da Ucrânia, declarou:
““A posição foi tomada sem que um único tiro fosse disparado””
.
Os drones aéreos já haviam transformado o campo de batalha, e agora as forças ucranianas ampliaram esse modelo com veículos terrestres não tripulados. Essas máquinas, que podem transportar equipamentos e resgatar feridos, também participam de ações de combate. Elas são mais difíceis de detectar, operam em condições climáticas adversas e têm maior durabilidade.
No final de 2025, um robô terrestre equipado com uma metralhadora conseguiu conter o avanço de forças russas por até 45 dias com mínima manutenção. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que drones e robôs realizaram mais de 22 mil missões nos últimos três meses, evitando a exposição direta de milhares de soldados.
A Ucrânia se tornou um polo de inovação militar em sistemas não tripulados, especialmente após a chegada de Mykhailo Fedorov ao comando da Defesa. O investimento em tecnologia é visto como uma necessidade estratégica devido à desvantagem numérica em relação à Rússia, com a meta de substituir até um terço da infantaria por sistemas robóticos ainda este ano.
Fedorov apresentou um plano que coloca tecnologia e dados no centro da estratégia militar, incluindo a criação de uma “zona de destruição” ao longo da linha de frente. Cerca de 1.000 equipes já atuam nesse novo modelo integrado, e analistas afirmam que a superioridade ucraniana no uso de drones tem ajudado a conter o avanço russo.
O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) aponta que essa vantagem tecnológica ajuda a explicar a estagnação das ofensivas russas. No entanto, robôs terrestres ainda enfrentam dificuldades para manter controle territorial prolongado sem apoio humano.
O avanço ucraniano na guerra tecnológica atraiu atenção internacional, especialmente de países do Oriente Médio. Zelensky intensificou viagens e acordos com aliados, oferecendo compartilhamento de tecnologia em troca de equipamentos. Especialistas consideram que o desenvolvimento de inteligência artificial no campo de batalha é a próxima fronteira, mas Makar Zinkevych alerta:
““Você confiaria armas à inteligência artificial? Como garantir que ela distinga um aliado de um inimigo?””


