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UFMT exibe documentários sobre violência contra a mulher produzidos por alunos

Amanda Rocha
Última atualização: 5 de abril de 2026 11:00
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) realizará, nesta segunda-feira (6), uma sessão aberta para exibir dois documentários experimentais produzidos por alunos de Jornalismo, no auditório da instituição, em Cuiabá. As obras em exibição são ‘Meu corpo, suas regras: vida de Emily Bispo’, dirigido pela aluna Bianca Mortelaro, e ‘Terezas: vivências femininas e ensino superior em MT’, dirigido pelo aluno Paulo Luiz. A entrada é gratuita e a sessão começará às 19h30.

Os documentários abordam temas sociais relacionados à realidade das mulheres e suas vivências em diferentes contextos. Em entrevista, Bianca Mortelaro explicou que seu documentário tem como objetivo denunciar a forma como a violência contra a mulher é retratada e resgatar a memória de Emily Bispo da Cruz, que foi morta pelo ex-namorado em Cuiabá, a partir do relato da família.

““O filme vai contra a mídia hegemônica que tende a tratar as vítimas de feminicídio apenas como números”,”

afirmou.

De acordo com a estudante, o processo de criação durou mais de seis meses, sendo que a finalização levou cerca de três meses. A equipe entrevistou profissionais do jornalismo, representantes do Instituto de Mulheres Negras e uma psicóloga, que abordaram temas como violência de gênero, interseccionalidade, ciclo da violência e o luto de familiares.

““Foi um processo intenso, principalmente por causa do prazo do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Fizemos duas versões do filme, uma delas pensada para festivais”,”

contou Bianca.

Bianca destacou que o documentário é um marco em sua trajetória e que a proposta foi resgatar a memória de Emily sem focar no crime.

““Em nenhum momento falamos sobre o crime em si, porque eu queria esse distanciamento. A ideia é publicar o filme em plataformas públicas após a exibição em festivais”,”

disse.

Por sua vez, Paulo Luiz buscou abordar o papel da mulher na sociedade. Segundo ele, o documentário apresenta histórias de mulheres que encontraram na universidade um caminho de transformação pessoal e social.

““A ideia nasceu de uma inquietação que me acompanha desde a infância sobre o lugar da mulher no estado, que enfrenta índices preocupantes de violência de gênero”,”

afirmou.

O estudante explicou que o filme vai além de retratar dificuldades e busca mostrar caminhos possíveis de autonomia, formação e resistência. A produção foi construída com base na escuta ativa e no respeito às histórias das entrevistadas.

““Era fundamental que essas histórias fossem contadas com cuidado e responsabilidade, entendendo o audiovisual como uma ferramenta de construção de memória. E é importante lembrar que ninguém faz audiovisual sozinho”,”

completou.

Os alunos, que estão em fase de conclusão do curso, também esperam incentivar outros estudantes a produzirem trabalhos semelhantes como forma de desenvolvimento acadêmico e profissional.

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