A venda de tadalafila no Brasil aumentou significativamente na última década, gerando preocupações entre especialistas. Um levantamento revelou que o volume comercializado do medicamento é hoje quase 20 vezes maior do que há dez anos. Em 2024, foram vendidos 64 milhões de comprimidos, um recorde no país.
O crescimento do uso, especialmente fora das indicações médicas, preocupa médicos e autoridades de saúde. A tadalafila é indicada para disfunção erétil, e seu uso crescente entre jovens sem diagnóstico clínico tem chamado a atenção de especialistas. Embora considerada segura quando prescrita corretamente, urologistas alertam para os riscos associados ao uso indiscriminado.
O urologista Márcio Costa, especialista em cirurgia robótica, destaca que o principal problema está na relação que o usuário desenvolve com o medicamento.
““A tadalafila não vicia como droga, mas pode levar a uma ‘dependência da cabeça’. A pessoa passa a achar que só funciona com o remédio, o que gera insegurança e ansiedade”,”
explica.
Ele acrescenta que a busca por um desempenho sexual idealizado pode distorcer a percepção da realidade.
““A pessoa começa a esperar um desempenho ‘perfeito’ sempre, o que não é real. Com o tempo, isso pode atrapalhar mais do que ajudar”,”
alerta.
Costa também menciona que o uso combinado com álcool ou certos medicamentos, especialmente os cardíacos, pode causar queda de pressão, tontura e desmaios. Além disso, suplementos “naturais” podem conter substâncias não declaradas, aumentando os riscos à saúde.
Outro ponto de preocupação é o uso entre jovens saudáveis.
““Muitos usam só para ‘melhorar’, mas acabam criando um problema que não existia. Isso aumenta a ansiedade e pode levar a dificuldades na hora da relação, mesmo sem causa física”,”
diz.
Entre os sinais de alerta, ele cita a necessidade constante do uso, aumento de dose e sintomas como tonturas ou ereções prolongadas.
““Nesses casos, o ideal é procurar um médico para avaliação”,”
orienta.
O urologista Theo Costa, especialista em saúde masculina, adota uma visão mais cautelosa sobre os riscos diretos do medicamento. Ele destaca que a tadalafila é amplamente testada e utilizada no mundo, com baixo risco para pessoas sem contraindicações.
““É difícil estabelecer uma relação de dependência. Em muitos casos, quem usa já apresenta algum grau de insegurança ou distúrbio de função sexual e busca um ‘plus’, mesmo sem necessidade”,”
explica.
Theo ressalta que o medicamento não tem efeito sem estímulo sexual.
““A ereção só ocorre quando há desejo, então não é uma resposta automática”,”
afirma. Ele também destaca que não há evidências de benefícios como ganho muscular ou melhora de desempenho físico com a tadalafila.
Ambos os especialistas concordam que o uso sem orientação médica deve ser evitado. O crescimento do consumo fora das indicações clínicas reforça a necessidade de informação e acompanhamento profissional.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou um alerta sobre os riscos do uso indiscriminado de medicamentos como sildenafila, tadalafila, vardenafila, udenafila e lodenafila. Segundo a agência, o uso recreativo ou estético pode causar efeitos graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), hipotensão, perda de visão ou audição, além de dependência psicológica.
A Anvisa também alerta sobre a comercialização irregular dessas substâncias em formatos como gomas e suplementos, recomendando evitar produtos manipulados sem prescrição e de empresas não autorizadas. Para os profissionais de saúde, a agência recomenda avaliação clínica prévia e monitoramento de interações e efeitos adversos.

