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Uso indiscriminado da IA compromete a segurança das empresas

Amanda Rocha
Última atualização: 9 de abril de 2026 17:29
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A inteligência artificial (IA) já se tornou parte da rotina das empresas, muitas vezes antes que as regras estejam definidas. Marco Santos, CEO da Aquarela Analytics, compara esse momento ao início da computação em nuvem, quando o entusiasmo superou a cautela.

“A inteligência artificial é algo muito novo não só para a população em geral, como para as empresas e indústrias”, afirmou Santos. Ele destacou que o aprendizado sobre a tecnologia ainda está em andamento, o que pode resultar em ganhos significativos, mas também em erros estratégicos.

Um dos principais alertas de Santos é o uso indiscriminado das ferramentas de IA. Ele observa que funcionários testam soluções com contas pessoais ou em chats públicos, sem considerar o impacto disso. “Se você está usando uma interface pública… você está assumindo que a informação que você está subindo ali não é sensível e pode ser passível de treinamento”, explicou.

Na prática, isso pode levar a que dados internos alimentem modelos externos, criando um risco que muitas vezes não é percebido. Santos descreve esse processo como um “efeito mosaico”, onde pequenos pedaços de informação inseridos por diferentes pessoas podem revelar um quadro completo. “Cada pedacinho de informação colocado por diferentes funcionários vai formando um mosaico que permite à IA ter uma visão do todo”, disse.

O resultado pode ser uma ferramenta capaz de responder perguntas estratégicas sobre novos produtos, planos de mercado ou movimentos da companhia, o que pode beneficiar concorrentes. Santos também chama atenção para a falta de políticas internas claras. “Faltam políticas e arquiteturas de dados que garantam a soberania corporativa”, afirmou.

Em setores mais sensíveis, como aeroespacial e defesa, a recomendação é adotar modelos isolados, que operem dentro da infraestrutura da própria empresa, para manter controle total sobre os dados e evitar exposições desnecessárias.

Apesar dos riscos, Santos ressalta que o potencial da inteligência artificial é significativo quando bem aplicada. Com dados protegidos, a tecnologia pode apoiar decisões mais rápidas, reduzir custos e aumentar a eficiência. “Ela vai te ajudar, só que em contrapartida, ela vai aprender sobre aquele novo produto”, alertou, enfatizando que os benefícios dependem do cuidado com o que é compartilhado.

Uma pesquisa da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) indica que sete em cada dez indústrias paulistas que utilizam inteligência artificial já percebem impactos relevantes no cotidiano. No entanto, apenas 16% das indústrias veem a tecnologia como uma ameaça direta, embora o levantamento aponte riscos relacionados à cibersegurança, com 3.685 ataques registrados por semana no Brasil.

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