A Amazônia começa a ser valorizada por sua preservação através de créditos de carbono. Durante décadas, o valor da floresta foi medido apenas pelo que podia ser extraído, como madeira e minério. Agora, uma nova lógica econômica se desenha, onde preservar pode valer mais do que destruir.
No centro dessa transformação está o mercado de crédito de carbono, que monetiza a redução de emissões e transforma a conservação ambiental em ativo financeiro. A empresa Joias Ecológicas da Amazônia se destaca por prometer que 70% dos recursos comercializados como crédito de carbono retornem para as comunidades locais.
A primeira iniciativa da Joias Ecológicas abrange uma área de 600 mil hectares em uma reserva extrativista, onde vivem cerca de 6 mil pessoas. O objetivo é atingir 2 milhões de hectares preservados até 2026. A reserva escolhida, o Resex Médio Purus, é habitada por comunidades tradicionais, como ribeirinhos e seringueiros.
Pedro Plastino, que estruturou a Joias Ecológicas, explica que a escolha da área se deve ao fato de que os direitos de carbono pertencem às comunidades, o que permite um impacto social significativo sem depender diretamente do governo. O acesso à reserva exige horas de estrada e até 12 horas de barco, mas isso não desanima Plastino e seu sócio, Rodrigo Brandão.
Cada projeto da Joias Ecológicas requer um investimento inicial de cerca de US$ 2 milhões, com um período de maturação de três a quatro anos até a primeira emissão de créditos. Durante esse tempo, não há receita, apenas custos. Quando os resultados começam a aparecer, 70% da receita vai para a comunidade e 30% para a empresa.
A expectativa é gerar aproximadamente 100 mil toneladas de carbono por ano, o que pode representar entre US$ 3 milhões e US$ 3,6 milhões nos primeiros ciclos de venda, considerando preços entre US$ 15 e US$ 18 por tonelada. Esses créditos são comprados por empresas com alta emissão de carbono que precisam compensar suas emissões.
O crédito de carbono é gerado pela diferença entre o desmatamento esperado e o real. Se uma área projetava perder 200 hectares por ano, mas registra apenas 180, os 20 hectares preservados se tornam créditos. O processo de validação é complexo e pode levar anos.
A Joias Ecológicas também busca financiar transformações locais, investindo em infraestrutura básica, governança e bioeconomia. A empresa planeja montar uma unidade de bioeconomia para comercializar produtos como açaí e pirarucu, eliminando intermediários e capturando valor localmente. O crédito de carbono, nesse contexto, se torna um mecanismo de financiamento para estruturar cadeias produtivas mais resilientes.


