A vida em Teerã enfrenta desafios significativos em meio à guerra. A cidade, em um dia ensolarado de primavera, apresenta uma mistura de lojas que vendem mantimentos, artigos para o lar, fast-food e flores, refletindo a luta diária de seus habitantes.
Mohammad, que trabalha na sapataria da família, expressa esperança ao abrir a loja. ‘Fico feliz em estar aqui’, diz ele, enquanto seu pai, Mustafa, lamenta a queda no número de clientes. ‘Tantas pessoas perderam seus empregos e estão desempregadas.’ Segundo o site Asr-e Iran, até 4 milhões de empregos podem ter sido afetados pela guerra e pelo bloqueio da internet.
Na loja, prateleiras exibem marcas como New Balance e Clarks, com Mohammad comentando que ‘até as falsificações são caras no Irã’. Em vez de apoio ao cessar-fogo, ele ironiza: ‘Esperamos que a guerra recomece’. Mustafa, com cabelos grisalhos, concorda, afirmando que muitos acreditam que uma nova guerra poderia melhorar a economia.
Shahla, uma senhora idosa, compartilha sua frustração ao ver o preço do pão triplicar. ‘As pessoas estão passando por um inferno só para comprar pão’, diz ela. A disparidade entre ricos e pobres é evidente, com ela afirmando que ‘para quem tem boa condição financeira, tudo bem, mas não para os trabalhadores que ganham pouco’.
Um arquiteto de 45 anos expressa sua frustração com o bloqueio digital que já dura mais de 50 dias, dificultando seu acesso a sites de tradução. O ministro das Comunicações do Irã, Sattar Hashemi, pediu o fim da proibição, ressaltando que cerca de 10 milhões de pessoas dependem da internet para trabalhar.
A segurança em Teerã foi reforçada, com a presença visível de forças de segurança à paisana. Na Praça Ferdowsi, veículos blindados e homens armados transmitem uma mensagem de controle. Um arquiteto, ao ser questionado sobre o que mudaria sua vida, responde: ‘Liberdade’.
Enquanto isso, a cultura dos cafés sobrevive, com clientes aguardando por sanduíches e café gelado. As ruas de Teerã mostram contrastes, com mulheres em vestimentas tradicionais ao lado de jovens com roupas modernas. Muitas mulheres já não seguem as leis de vestimenta, um reflexo dos protestos ‘Mulheres, Vida, Liberdade’.
Ali, um jovem, relata a solidão sentida durante a guerra e a dificuldade de contatar familiares. Sua irmã, que pediu demissão devido à falta de pagamento, expressa a incerteza do futuro. ‘Eu amo o presidente Trump e odeio o presidente Trump’, diz Ali, refletindo a complexidade da situação.
À noite, na Praça Vali-e Asr, apoiadores do governo se reúnem para debater sobre o falecido líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e suas posições em relação às negociações com os Estados Unidos. Uma mulher discute a importância do hijab, enquanto outra jovem afirma: ‘Só negociamos com o presidente Trump a partir da nossa posição de força’.
Enquanto a jornada termina, grupos de jovens ainda se reúnem nas ruas, refletindo a resiliência e os desafios contínuos enfrentados pelos habitantes de Teerã.


