O primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán discursou em um comício eleitoral em Györ, no oeste da Hungria, no dia 27 de março, onde se referiu aos manifestantes da oposição que gritavam “Fidesz imundo”. Orbán, que está no poder desde 2010, enfrenta uma eleição parlamentar marcada para 12 de abril e, segundo as pesquisas, o partido de oposição Tisza e seu líder, Peter Magyar, estão à frente com 58% contra 35% do Fidesz.
Após 16 anos de governo, Orbán foi forçado a intensificar sua campanha, mobilizando apoiadores e tentando alcançar os indecisos. A mudança na percepção pública é evidente, com 47% dos entrevistados acreditando que o Tisza vencerá, em contraste com 44% que acreditavam na vitória do Fidesz em janeiro.
O governo de Orbán é frequentemente acusado de corrupção e de favorecer aliados próximos em licitações estatais. Seu genro, Istvan Tiborcz, e seu amigo de infância, Lörinc Meszaros, são citados como exemplos de concentração de riqueza. Orbán se recusa a comentar sobre a riqueza de seus amigos e familiares.
Analistas políticos, como Gabor Török, observam que a imagem de Orbán como um líder forte está em risco. A eleição é vista como um referendo sobre o modelo de governo autoritário que ele representa, com implicações que vão além da Hungria.
Orbán conta com apoio de outros políticos de direita na Europa, como Matteo Salvini e Marine Le Pen. A eleição é acompanhada de perto, pois uma derrota de Orbán poderia impactar partidos de extrema-direita em outros países europeus.
Apesar do fraco desempenho nas pesquisas, aliados de Orbán negam pânico e afirmam que o crucial será mobilizar seus apoiadores para comparecer às urnas. O partido Fidesz tem um forte sistema de clientelismo local, especialmente em pequenas cidades e vilarejos, onde a maioria dos eleitores reside.
Orbán argumenta que a eleição é uma escolha entre paz e guerra, afirmando que somente ele pode impedir que a Hungria se envolva em conflitos na Ucrânia. A mensagem do Fidesz é que um voto na oposição significaria o envio de tropas húngaras para uma possível guerra contra a Rússia.

