Conflitos entre Israel e Hezbollah colocam em dúvida a viabilidade de um entendimento mais amplo entre Estados Unidos e Irã. A consultora de risco político Vera Galante avalia o cenário como altamente volátil, citando a falta de confiança entre as partes envolvidas.
Galante afirmou que o documento anunciado pelo presidente dos Estados Unidos não deve ser interpretado como um acordo definitivo de paz. Ela explicou que o Irã tratou o texto como uma estrutura para futura conversa, adiando negociações que deveriam começar imediatamente.
Os ataques de Israel contra posições do Hezbollah no Líbano criam barreiras adicionais ao avanço diplomático, visto que o governo israelense não participa diretamente do entendimento entre Washington e Teerã. A especialista comentou que “há pouca confiança entre os envolvidos” e que qualquer incidente pode comprometer o processo.
A exigência iraniana de redução de hostilidades fortalece a posição de Teerã, especialmente sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica de petróleo. Galante disse que “o Irã sairia ganhando nessas negociações porque passaria a ter um papel muito maior na gestão do estreito”.
Além dos desafios geopolíticos, a consultora mencionou que a estratégia dos EUA enfrenta resistência interna, com republicanos insatisfeitos com as concessões. Galante considera os próximos 60 dias decisivos para testar a viabilidade do memorando, mantendo o risco de confrontos elevado no Oriente Médio.


