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El Niño Afeta Culturas Tropicais com Secas e Chuvas Intensas

Carla Fernandes
Última atualização: 23 de junho de 2026 23:55
Carla Fernandes
Tempo: 2 min.

O El Niño, aquecimento da superfície do mar no Pacífico Oriental, afeta culturas tropicais com secas ou chuvas intensas. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA confirmou o padrão climático e previu alta probabilidade de um evento forte em 2027. O fenômeno representa um risco para agricultores que já enfrentam choques nos preços de insumos.

O El Niño ocorre naturalmente a cada dois e sete anos e costuma durar de nove a doze meses. O padrão climático altera o registro de temperaturas globais, provocando secas em regiões como Sul e Sudeste Asiático e Austrália, e chuvas intensas no sul da América do Sul e nos Estados Unidos. Especialistas alertam que os impactos são severos para o agronegócio, que já lida com o aumento de custos de fertilizantes e diesel.

No setor de cacau, eventos fortes do El Niño nos últimos 55 anos reduziram a produção, segundo a empresa de investimentos WisdomTree. Durante o último episódio, a África Ocidental sofreu com excesso de pluviosidade seguido por calor intenso, o que afetou a floração das árvores. Os preços do cacau subiram para níveis recordes, acima de US$ 12.000 por tonelada métrica no final de 2024.

Para o café robusta, o El Niño é problemático para Vietnã e Indonésia, que juntos produzem cerca de 50% da safra mundial, pois o clima adverso atinge a cultura durante o desenvolvimento. Já para o café arábica, cultivado no Brasil, o impacto é mais sutil; embora possa evitar geadas no curto prazo, o fenômeno tende a trazer seca e calor no quarto trimestre, prejudicando a produção de 2027.

No mercado de açúcar, o El Niño pode causar excesso de chuva no Brasil, interrompendo a colheita. Na Índia, por exemplo, espera-se o menor índice de chuvas em 11 anos para as monções de 2026, o que pode reduzir a produção em cerca de 1 milhão de toneladas métricas, segundo estimativas de uma corretora.

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