O encontro promovido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com mulheres conservadoras, marcado para esta quarta-feira (1º), serve como teste público para medir a relação entre ele e Michelle Bolsonaro. A expectativa de presença da ex-primeira-dama, que possui influência no eleitorado feminino conservador, define o tom da tentativa de pacificação entre as lideranças do bolsonarismo.
A ausência de Michelle no evento teria peso político, pois a iniciativa visa aproximar o senador de um segmento onde ela exerce forte influência, especialmente entre evangélicos e militantes de pautas de costumes. Aliados do senador reconhecem que parte desse eleitorado ainda demonstra resistência ao nome de Flávio como candidato à Presidência, e a participação da ex-primeira-dama transmitiria uma imagem de unidade partidária.
O desgaste entre os dois iniciou-se após Michelle publicar um vídeo criticando a decisão do PL de apoiar a pré-candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará. Ela afirmou ter sido desrespeitada por Flávio durante negociações, o que marcou o rompimento da relação no fim de 2025. Flávio evitou responder às acusações, mas fez um convite público para o encontro.
Dirigentes do PL avaliam que a divergência expôs duas visões sobre o futuro do bolsonarismo. Michelle representa o grupo alinhado ao estilo político de Jair Bolsonaro, resistente a acordos, enquanto Flávio defende ampliar alianças estaduais para fortalecer sua candidatura presidencial. A decisão de Michelle sobre o comparecimento ao evento é vista como um indicador do estágio dessa reaproximação.


