O Federal Reserve manteve a taxa básica de juros dos Estados Unidos entre 3,5% e 3,75% ao ano, mas sinalizou maior consideração para novas altas nos próximos meses. A mudança, que ocorreu sob a presidência de Kevin Warsh, elevou a aversão ao risco e pressionou ativos internacionais, segundo análise de um economista do Fed.
A reunião marcou uma alteração no debate interno do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc). O que antes era uma discussão entre manter ou cortar juros, passou a focar em manter ou subir as taxas em encontros futuros, afirmou o especialista. Kevin Warsh, novo presidente do Fed, buscou transmitir uma mensagem mais focada em inflação, em detrimento do crescimento e do mercado de trabalho.
Além do tom mais firme sobre a inflação, o Fed alterou sua comunicação com o mercado. O comunicado pós-reunião foi mais conciso, e a autoridade monetária demonstrou preferência por reduzir o chamado forward guidance. Isso significa menos indicações explícitas sobre a trajetória futura dos juros.
A reação dos mercados foi imediata, com as bolsas americanas em queda. O fator principal foi a percepção de que os juros permanecerão elevados por mais tempo. Projeções indicaram que metade do comitê esperava altas até o final do ano, e um grupo relevante previa taxas mais altas em 2027. Esse cenário apertado afeta mercados emergentes, pois juros altos nos EUA reduzem o fluxo de capital para países considerados mais arriscados.


