A influência do Irã sobre o Estreito de Ormuz se consolida, gerando incerteza na economia global. Especialistas afirmam que o país demonstrou capacidade de bloquear o ponto de estrangulamento petrolífero mundial, e essa nova arma energética deve perdurar, mesmo com possíveis acordos internacionais.
O Irã demonstrou poder para fechar e manter fechado o Estreito de Ormuz, mesmo diante de ataques militares dos Estados Unidos e de Israel, segundo Gregory Brew, analista sênior do Eurasia Group. Essa capacidade, que ele classificou como a “nova opção nuclear” do país, implica riscos significativos para a economia global, que já enfrenta um choque energético histórico.
Antes do conflito, cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo e GNL passava por essa via navegável. Embora esforços de diversificação de rotas melhorem a segurança energética, eles ocorrem com custos. A incerteza afeta não só a energia, mas também o fornecimento de fertilizantes e alumínio.
O Irã formalizou seu controle criando a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA) para supervisionar um novo protocolo de trânsito, o que gerou sanções dos EUA. Pesquisas indicam que, se o estreito permanecer fechado até o fim do ano, os preços do petróleo Brent podem chegar a US$ 200 por barril, transformando o choque em crise econômica global, conforme Peter Martin, da Wood Mackenzie.
Consultorias de energia apontam que o prêmio de risco geopolítico pode variar entre US$ 10 e US$ 20 por barril. Além disso, produtores do Golfo já investem em rotas alternativas, mas a construção de novas infraestruturas é descrita como um projeto caro e demorado.

