A seleção do Uzbequistão, que jogou contra a Colômbia na Copa do Mundo de 2026, chamou atenção pela predominância de sobrenomes terminados em “-ov” e “-ev”. Essa característica reflete a história de anexação do país pelo Império Russo em 1875.
Segundo a Enciclopédia Britânica, o Império Russo anexou o Uzbequistão, parte da Ásia Central, e o incorporou à província russa do Turquestão. O governo czarista implementou um modelo de “russificação” com leis próprias, visando colonizar a cultura local.
Os povos uzbeques, de origem turca, tártara, persa e mongol, foram forçados a alterar seus sobrenomes. Antigamente, os nomes terminavam em “-ugli” e “-kizi”, significando “filho” e “filha”. A imposição das terminações em “-ov” para homens e “-eva” para mulheres ocorreu em 1905.
Mesmo após a Revolução Russa em 1917, os soviéticos mantiveram certas leis czaristas na província do Turquestão. Durante o regime soviético, a nova terminação foi vista como símbolo de progresso. Com o colapso da URSS, o Uzbequistão iniciou um processo de “desrussificação”.
Em 1995, a Lei Estatal da Língua foi promulgada, garantindo o direito de cidadãos escreverem seus nomes sem a ordem soviética. Contudo, muitos cidadãos mantêm os sobrenomes antigos por considerá-los ligados à modernidade e facilidade de pronúncia.

