São Paulo celebra Johannes Brahms com a execução de seu ciclo de sinfonias, oferecendo ao público a oportunidade de conhecer a obra de um dos compositores que moldaram a música ocidental. Brahms soube dialogar com o legado de Bach e Beethoven, ao mesmo tempo em que renovou as formas musicais de seu tempo.
Nascido em Hamburgo, em 1833, Brahms desenvolveu um rigor técnico sob orientação de Eduard Marxsen. Sua admiração por Bach, Mozart e Beethoven influenciou sua escrita, o que levou Hans von Bülow a cunhar a expressão dos “três Bs” da música alemã. Contudo, sua obra transcende a mera preservação, apresentando liberdade criativa.
Em suas composições, a forma clássica convive com uma linguagem romântica, marcada por densidade harmônica e expressividade contida. Em 1853, Robert Schumann apresentou o jovem compositor no artigo Neue Bahnen. Sua trajetória também foi marcada por Clara Schumann, que defendeu sua obra.
Brahms alcançou reconhecimento definitivo em Viena, cidade que o colocou ao lado de Haydn e Schubert. A Sinfonia nº 1 em dó menor, Op. 68, é citada como exemplo de sua maturidade, sendo chamada de “a Décima de Beethoven”. Em interpretações recentes, como a da Filarmônica de Oslo, o maestro Klaus Mäkelä privilegia a clareza das vozes e o fluxo musical contínuo.

