O Brasil se aproxima da liderança global em exportações agrícolas, impulsionado pelas mudanças no comércio internacional decorrentes da política tarifária dos Estados Unidos. Segundo dados do Departamento de Agricultura americano e do Ministério da Agricultura brasileiro, o país está em posição de superar os EUA, que exportaram US$ 171 bilhões no ano passado.
A ex-ministra da Agricultura, Kátia Abreu, afirmou que a consolidação do Brasil como parceiro estável no mercado internacional é resultado da diversificação de fornecedores chineses após a primeira guerra comercial com a China, iniciada em 2018. Ela declarou que o país já liderava as exportações de soja, carne bovina e carne de frango e está prestes a assumir a liderança geral do setor.
Apesar do avanço, Abreu avaliou que as novas tarifas dos Estados Unidos afetam segmentos como máquinas agrícolas, implementos e etanol. Ela explicou que produtos como carne bovina e café foram excluídos das tarifas americanas devido a crises de oferta no mercado dos EUA. Para compensar restrições, o Brasil tem ampliado sua presença em outros mercados, com exportações para a Índia crescendo 27%, e o governo federal disponibilizou R$ 18 bilhões em linhas de crédito via BNDES para apoiar exportadores.
A ex-ministra também criticou a ação civil pública que busca elevar a mistura obrigatória de etanol na gasolina de 30% para 32%. Ela defendeu a manutenção da política de biocombustíveis, classificando o etanol como um ativo estratégico da matriz energética nacional.

