A Câmara dos Deputados do Paraguai divulgou nota oficial nesta quarta-feira, 29, repudiando declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra da Tríplice Aliança. O comunicado, feito pelo presidente da Casa, Raúl Latorre, defendeu a memória das vítimas do conflito e pediu maior pressão diplomática.
O texto oficial afirmou que as falas do presidente Lula distorcem e minimizam a dimensão histórica da guerra, desconsiderando a complexidade das origens do conflito e o sofrimento humano do povo paraguaio. Os deputados paraguaios também solicitaram ao Ministério das Relações Exteriores que intensifique as negociações para a devolução do Canhão Cristão e outros troféus de guerra pertencentes ao patrimônio histórico do país.
A reação parlamentar ocorreu após Lula afirmar que as Forças Armadas brasileiras precisam estar preparadas. O presidente citou o conflito, dizendo: “A gente não pode se esquecer de que, um belo dia, o Paraguai resolveu invadir o Brasil”. Ele detalhou que o país invadiu Corumbá, Uruguai e Argentina, e que a guerra durou cinco anos.
A Guerra da Tríplice Aliança ocorreu entre 1864 e 1870, colocando o Paraguai contra a aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. As declarações de Lula agravaram o atrito diplomático entre Brasília e Assunção, em meio às negociações sobre a energia da usina hidrelétrica de Itaipu.

