O aprofundamento do mercado financeiro brasileiro exige mais do que a simples existência de instrumentos como debêntures e FIDCs. Segundo Maurício Martinelli Luperi, o sistema precisa de maior diversidade, concorrência e acessibilidade para reduzir a dependência de poucos bancos.
O debate sobre a redução de juros e ampliação de crédito no Brasil frequentemente foca na taxa Selic ou em ajustes fiscais. Contudo, o especialista aponta que a organização do sistema financeiro é uma questão fundamental negligenciada. Ele explica que ter instrumentos financeiros não significa possuir profundidade; a capacidade de uso desses recursos é o fator determinante.
Profundidade financeira, segundo Luperi, ocorre quando empresas captam recursos por diversos meios, competindo entre financiadores com prazos e custos variados. O problema reside na concentração, pois a maioria das pequenas e médias empresas ainda depende dos bancos, mesmo com a existência de opções como notas comerciais e securitização.
A comparação com os Estados Unidos ilustra a necessidade de pluralidade. O financiamento americano não se apoia apenas em grandes bancos, mas em uma vasta gama de instituições. O objetivo, afirma o autor, não é copiar modelos estrangeiros, mas entender mecanismos adaptáveis à realidade nacional para que a economia deixe de depender de uma única porta de entrada para o crédito.

