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Morar junto altera comunidade de bactérias na boca

Carla Fernandes
Última atualização: 9 de julho de 2026 04:20
Carla Fernandes
Tempo: 2 min.

Pessoas que compartilham domicílio apresentam maior troca de cepas bacterianas orais e intestinais, conforme estudo publicado em junho de 2026. Pesquisadores da Universidade de Trento, na Itália, analisaram 1.644 amostras de saliva e fezes de 808 indivíduos e concluíram que casais são o grupo com maior compartilhamento de microbiota oral.

A pesquisa, que utilizou a ferramenta StrainPhlAn para identificar cepas específicas, revelou que a taxa mediana de compartilhamento de cepas intestinais entre coabitantes foi de 19%, comparada a 6% entre pessoas de domicílios distintos. Na microbiota oral, a diferença foi mais acentuada, atingindo 25,8% entre quem compartilha residência e quase zero entre os demais.

Um achado notável diz respeito aos casais, que apresentaram 44,4% de cepas orais compartilhadas, contra 19,5% de cepas intestinais. Os autores atribuem esse padrão à troca de saliva por meio do beijo, um comportamento que influencia a formação do microbioma bucal. O gastroenterologista Rogério Alves, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, afirmou que essa transmissão é natural e não representa risco, pois ocorre constante troca de micro-organismos no ambiente.

O estudo também ligou a transmissibilidade a indicadores de saúde. Os pesquisadores descobriram que as bactérias intestinais mais facilmente transmitidas entre coabitantes estão associadas a pior perfil metabólico, como marcadores de diabetes tipo 2. Além disso, foi identificada uma subespécie de bactéria que coloniza exclusivamente a cavidade oral.

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