O Pix em Garantia, esperado para 2026, foi realocado para a agenda de longo prazo do Banco Central, prevista para 2027 ou posterior. Especialistas afirmam que o adiamento não decorre de pressões externas, mas sim da complexidade técnica do projeto e da priorização da segurança do sistema financeiro.
O recurso permitiria que empresas utilizassem recebíveis futuros gerados por operações Pix como garantia para obter crédito, um modelo similar ao usado com recebíveis de cartão. A expectativa é reduzir o custo do crédito, especialmente para pequenos e médios negócios. Contudo, a implementação exige a criação de uma infraestrutura completa de registro, validação e controle desses recebíveis, o que explica a lentidão do avanço.
Segundo executivos do setor, o atraso não está ligado a tensões comerciais com os Estados Unidos. Ralf Germer, CEO e cofundador da PagBrasil, disse que o foco do Banco Central foi consumido por projetos complexos, como as jornadas de pagamento sem redirecionamento. A agenda regulatória prioriza, atualmente, MED 2.0, prevenção a fraudes e Split Tributário.
Outro fator determinante é a crescente preocupação com ataques cibernéticos. O regulador tem reforçado a supervisão após incidentes de invasão em sistemas de conexão entre instituições financeiras e o Banco Central. Rodrigo Rodrigues, COO e cofundador da Akua, explicou que o Pix foi desenhado para compensação imediata, e o Pix em Garantia exige a criação de um compromisso futuro, envolvendo bancos, adquirentes e registradoras.


