A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos ao etanol brasileiro deve gerar impactos pontuais nas empresas exportadoras, mas especialistas afirmam que o efeito será limitado para a economia nacional. A maior parte das vendas externas do biocombustível é destinada a outros compradores internacionais, embora os EUA sejam o segundo principal destino.
O professor Luiz Carlos Delorme Prado, do Instituto de Economia da UFRJ, contextualiza que a participação dos EUA nas exportações brasileiras já diminuía antes da tarifa. Segundo ele, a medida não representa uma tragédia para o país, mas sim um fator que reforça a necessidade de buscar mercados alternativos.
Delorme Prado comentou que o mercado estadunidense se tornou problemático devido à falta de previsibilidade e racionalidade, ligando o movimento tarifário à agenda política do governo dos EUA para a América Latina. Em 2025, o Brasil exportou cerca de 1,6 milhão de metros cúbicos de etanol, gerando quase US$ 1 bilhão, com os EUA recebendo cerca de 253 mil metros cúbicos.
Pesquisadores apontam que a competitividade do Brasil no setor sucroalcooleiro oferece vantagens estruturais para a busca por novos mercados. Luis Augusto Barbosa Cortez, da Universidade Estadual de Campinas, explica que fatores como clima e solo beneficiam o país, que produz etanol majoritariamente a partir da cana-de-açúcar, enquanto os EUA utilizam o milho.

