As adesões ao Desenrola 2.0, programa do governo federal para renegociação de dívidas de famílias brasileiras, terminam nesta segunda-feira (31). A medida provisória que criou a iniciativa perde a validade sem ter sido votada pelo Congresso Nacional, o que impede a prorrogação do prazo para novos cadastros.
Interessados em participar devem procurar os canais oficiais das instituições financeiras habilitadas. O programa possibilita a substituição de dívidas antigas por um novo crédito com condições favoráveis e garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO). É permitida, inclusive, a utilização de parte do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a quitação ou amortização dos débitos.
Até a última semana de agosto, cerca de 5,03 milhões de dívidas foram renegociadas na modalidade para famílias. O valor original desses débitos era de R$ 26,3 bilhões, mas o montante foi reduzido para aproximadamente R$ 5,2 bilhões após a formalização dos acordos.
O encerramento ocorre enquanto a inadimplência das famílias atinge níveis recordes. Segundo o Banco Central (BC), a parcela de operações com atraso superior a 90 dias subiu de 5,4% em junho para 5,8% em julho, o maior índice desde março de 2011. No crédito livre, a inadimplência de pessoas físicas saltou de 7,4% para 7,8%, a maior marca da série histórica.
O comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas também subiu, passando de 28,5% em maio para 28,9% em junho. Já o endividamento geral apresentou queda leve, de 49,9% para 49,8% da renda no mesmo período, embora permaneça em patamar elevado.
O Desenrola 2.0 é voltado para brasileiros com renda mensal de até cinco salários mínimos, o que equivale a R$ 8.105. O programa abrange dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal contraídas até 31 de janeiro de 2026, com atrasos entre 90 dias e dois anos.
As condições do novo contrato incluem descontos entre 30% e 90% sobre a dívida, juros de até 1,99% ao mês e prazo de pagamento de até 48 meses. O valor da nova dívida é limitado a R$ 15 mil por pessoa e por instituição financeira.


