O número de mortos confirmados pela avalanche que atingiu o Nepal e a China na última quarta-feira (26) chegou a 919 nesta segunda-feira (31). Segundo balanços oficiais, 903 das vítimas foram localizadas em território nepalês e 16 na região do Tibete, com quase 5 mil pessoas ainda desaparecidas.
O desastre foi causado pelo colapso parcial de uma geleira, que transformou um rio em torrente de água e destroços, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. No Nepal, mais de 2.500 prédios foram destruídos no vale do rio Trishuli, conforme análise de satélite do observatório europeu Copernicus. O governo nepalês estimou que o custo da tragédia atinja bilhões de dólares.
Equipes de resgate do Nepal, Índia, China e Coreia do Sul trabalham em áreas remotas do Himalaia, onde as estradas foram arrasadas. O policial E. Hawadi, chefe adjunto do distrito de Nuwakot, informou que as dificuldades são consideráveis devido à ausência de vias de acesso. Há a suspeita de que mais de 100 operários permaneçam presos em um túnel de obra na região.
No Tibete, as operações concentram-se no posto fronteiriço de Gyirong, cujo edifício foi arrastado. Paralelamente, as autoridades chinesas anunciaram nesta segunda-feira sanções contra 10 pessoas acusadas de divulgar informações falsas na internet sobre a avalanche, sem especificar a natureza das punições.
Em Bharatpur, no sul do Nepal, a força das águas arrastou quase 250 corpos por mais de 100 quilômetros. Devido à decomposição dos cadáveres e à lotação de necrotérios, o governo iniciou no domingo (30) enterros provisórios após a coleta de amostras de DNA. Amrit Bahadur Rai, do Ministério das Relações Exteriores, justificou a medida por motivos sanitários.
Entre os resgates, a polícia nepalesa registrou a recuperação de uma menina de seis anos, encontrada sob escombros na sexta-feira. Um funcionário da usina hidrelétrica Upper Trishuli, Shibu Giri, de 44 anos, descreveu o evento como um tsunami acompanhado de uma nuvem de poeira.

