Um cofre do banco Credito Emiliano, na Emilia-Romagna, abriga mais de meio milhão de peças de Parmigiano Reggiano, avaliadas em mais de 300 milhões de euros. A instituição utiliza o queijo como garantia para empréstimos a produtores locais desde 1953.
O sistema de crédito do banco, que armazena e envelhece os queijos, evoluiu com a tecnologia blockchain. Essa ferramenta permite que produtores ofereçam as peças como garantia mesmo mantendo o estoque em suas instalações, o que dobra a capacidade de crédito do Credem. O Parmigiano Reggiano, que necessita de pelo menos 12 meses para maturar, se beneficia da antecipação de capital oferecida pelo banco.
Apesar da estabilidade do setor, o calor extremo ameaça os “bancos de queijo” e a economia italiana. O aumento das ondas de calor elevou o consumo de energia do banco em cerca de 30%, forçando investimentos em refrigeração. Além disso, o clima afeta a produção primária: o calor intenso reduz a produção de leite em até 10% ao ano.
A pressão climática se estende aos vinhedos e olivais. A Coldiretti, maior associação de agricultores da Itália, classificou 2026 como um ano de colheita precoce, com temperaturas recordes afetando o desenvolvimento de sabores nas uvas. Já a produção de azeite em Puglia e Calábria ficou abaixo da média histórica, atingindo entre 270 mil e 300 mil toneladas na temporada 2025/26.
Economistas apontam que os danos climáticos se manifestam de forma indireta e defasada. Segundo R. Jisung Park, os efeitos do calor nas cadeias de suprimentos geram impactos mensuráveis na avaliação de empresas em etapas posteriores, um custo que frequentemente é subestimado por governos e empresas.

