O Brasil possui forte capacidade de atrair dólares, fator que explica a resistência da moeda brasileira mesmo diante de preocupações com as contas públicas, afirmou o gestor do Fundo Verde, Luis Stuhlberger. Segundo o investidor, a força das exportações e a entrada de capital estrangeiro reduzem a pressão sobre o câmbio.
Dados do Banco Central (BC) corroboram a análise. Em julho, o Investimento Direto no País (IDP) somou US$ 88,4 bilhões, ou 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB), superando o deficit de US$ 62,9 bilhões (2,4% do PIB) nas transações correntes acumuladas em 12 meses. A balança comercial também contribuiu com superavit de US$ 6,2 bilhões no mesmo mês, com exportações de US$ 34,2 bilhões.
Stuhlberger criticou a carga tributária brasileira, afirmando que não há mercado emergente com nível de arrecadação similar ao do país. De acordo com o Tesouro Nacional, a carga tributária bruta do governo geral em 2025 foi de 32,40% do PIB, o maior índice desde 2010, considerando a soma de União, Estados e municípios.
O gestor classificou a economia nacional como “zumbi” devido ao volume de empresas endividadas que seguem operando enquanto renegociam passivos. Ele explicou que as regras de recuperação judicial permitem que companhias priorizem despesas essenciais, como aluguel e fornecedores, dando sobrevida a negócios altamente endividados com bancos e o Fisco.
Sobre o endividamento, o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, comparou o cenário atual com a crise de crédito do governo Dilma. Enquanto na época o estresse estava concentrado em empresas, agora o endividamento atinge mais as pessoas físicas e a classe média, em um contexto de mercado de trabalho aquecido.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a taxa de desemprego ficou em 5,4% no trimestre encerrado em junho, o menor nível desde 2012. A população ocupada atingiu a marca de 103,1 milhões de pessoas, recorde da série histórica.


