O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, decidiu deixar o cargo para assumir a presidência da Avibras Indústria Aeroespacial. A fabricante de produtos bélicos foi adquirida na semana passada pelos empresários Joesley e Wesley Batista, segundo apuração da imprensa.
A saída de Dantas ocorre sob críticas sobre sua atuação no tribunal, com acusações de que teria privilegiado interesses do governo Lula e dos irmãos Batista. Durante sua gestão na presidência do TCU, o ministro implementou um órgão de mediação entre empresas e o governo federal.
A medida foi questionada por juristas e pela Transparência Internacional Brasil. A organização classificou a estrutura como motivo de “especial preocupação”, citando a falta de transparência e a concentração de poderes em um órgão que atua simultaneamente como mediador e avalizador.
Um dos casos citados envolve a Âmbar, empresa de energia dos Batista. Em 2021, a companhia venceu leilão para operar usinas termelétricas, mas não cumpriu o prazo. Em vez da multa de R$ 6,6 bilhões prevista em contrato, a mediação no TCU e o Ministério de Minas e Energia (MME) reduziram a penalidade para R$ 1,1 bilhão.
Dantas também liderou o voto que definiu as regras do leilão de arrendamento do terminal de contêineres no Porto de Santos, avaliado em R$ 6,45 bilhões, com modelo favorável à JBS. Em 2017, o ministro confirmou ter utilizado jatinho do Grupo J&F em viagem entre Recife e Brasília.
Naquele período, Joesley Batista já era investigado pela Operação Lava Jato. A vacância deixada por Dantas e por outro ministro, Nardes, gera agora uma disputa por indicações para as vagas no tribunal.


