A campanha de Flávio Bolsonaro, candidato do PL, divide-se entre duas abordagens. De um lado, busca uma imagem moderada para atrair indecisos. De outro, reforça pautas tradicionais e coloca o pai, Jair Bolsonaro, no centro do discurso.
A estratégia inicial visava aproveitar o sobrenome Bolsonaro sem herdar a rejeição do ex-presidente. O projeto foi apelidado de “bolsonarismo light”, focado em um diálogo com parlamentares do centro e da esquerda. Essa tentativa de construir um perfil mais neutro incluiu aparições em eventos com linguagem mais leve, embora isso tenha gerado reação em setores conservadores.
Contudo, o peso político de Jair Bolsonaro permanece central na candidatura. Mesmo impedido de participar de atos oficiais, o ex-presidente é o principal ativo eleitoral. Com o início oficial da campanha, a imagem de Bolsonaro ganhou mais destaque em materiais e discursos.
No primeiro ato eleitoral, o candidato retomou propostas como castração química para estupradores e redução da maioridade penal. Ele também afirmou que indicará ao Supremo Tribunal Federal (STF) ministros contrários ao aborto e à liberação de drogas. Flávio voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes, dizendo que o pai foi “julgado pelos seus próprios inimigos”.
A dificuldade em formar alianças com partidos de centro e direita moderada levou o PL a optar por uma chapa pura, escolhendo Alfredo Gaspar como vice. Esse movimento reforça o discurso de segurança pública. Paralelamente, a reaproximação com Michelle Bolsonaro também integra a tentativa de reorganizar o campo bolsonarista.


