O aumento das vendas de veículos eletrificados no Brasil tem levado à maior exposição de motoristas e passageiros à cinetose, conhecida como enjoo de movimento. O mal-estar ocorre por conflito de sinais sensoriais enviados ao cérebro, e alguns estudos indicam maior ocorrência em carros elétricos.
As vendas de carros eletrificados registraram um novo recorde em julho deste ano, totalizando 61.781 unidades, o que corresponde a 23,3% do mercado de veículos zero-quilômetro. Em 2025, os modelos elétricos já representavam 13% das vendas no país.
A cinetose surge quando o que o corpo sente difere do que os olhos percebem. Essa confusão pode causar náusea e tontura. Nos veículos elétricos, a aceleração é imediata e suave, o que dificulta a identificação do movimento pelo cérebro. A frenagem regenerativa também influencia, pois gera uma desaceleração de baixa frequência.
Outro fator relevante é a ausência de ruído do motor. O cérebro associa o barulho de veículos a combustão ao movimento; essa informação se perde nos elétricos. A falta de hábito com esses modelos agrava a situação, sendo a cinetose mais comum em crianças e em quem ocupa o banco traseiro.
As montadoras já estudam o problema e desenvolvem tecnologias de chassis e modos específicos “anti-enjoo”. Uma estratégia para reduzir a cinetose inclui o uso de um som artificial que imita o funcionamento de carros tradicionais, fornecendo ao cérebro a informação de que o veículo está em movimento.


