Uma onda de água, gelo, pedras e lama atingiu o norte do Nepal nesta quarta-feira (26), deixando ao menos 273 mortos e 1,3 mil pessoas desaparecidas. A tragédia foi causada pelo colapso de parte da geleira do monte Langtang Lirung, que bloqueou temporariamente o rio Lhende Khola antes de romper e inundar a região.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou um tremor de magnitude 4,4 pouco antes da enxurrada. Inicialmente, as autoridades acreditaram que o terremoto teria provocado o desastre, mas a apuração posterior concluiu que o abalo sísmico foi, na verdade, a consequência do próprio colapso da geleira.
O material desprendido acumulou rochas e lama, criando uma barreira natural que interrompeu o fluxo do rio. Quando essa estrutura cedeu, a onda destrutiva avançou pelos vales, atingindo as populações locais. Equipes de resgate seguem na região para localizar os desaparecidos e prestar socorro aos feridos.
Dados oficiais indicam que o Nepal perdeu quase um terço do volume de gelo nas últimas três décadas. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o derretimento das geleiras ocorreu 65% mais rápido entre 2011 e 2020 do que no período anterior, o que amplia a vulnerabilidade a deslizamentos e rompimentos de lagos.
O glaciologista Simon Cook, da Universidade de Dundee, informou que o aquecimento global pode contribuir para a instabilidade de regiões montanhosas, embora não haja confirmação de influência direta das mudanças climáticas neste episódio específico.
Basanta Raj Adhikari, diretor do Centro de Estudos de Desastres da Universidade Tribhuvan, afirmou que novas ondas de inundação ou deslizamentos podem ocorrer nesta quinta-feira (27) ou sexta-feira (28). Especialistas defendem que a implementação de sistemas de alerta e a cooperação entre Nepal e China são fundamentais para reduzir danos em eventos futuros.

