O Comitê para a Proteção de Jornalistas manifestou preocupação com a quebra do sigilo de fonte de um jornalista determinada pelo Supremo Tribunal Federal. A organização afirmou, em comunicado divulgado na sexta-feira, que o episódio estabelece um precedente arriscado para a liberdade de imprensa no país.
O caso envolve reportagens publicadas pelo jornalista sobre o uso de veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Flávio Dino. Após as publicações, o ministro Dino acusou o jornalista de perseguição. A investigação ficou sob responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes.
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do jornalista em março, recolhendo notebook e celulares. Agentes também realizaram uma operação na casa de um ex-secretário de governo do Maranhão, ligado às reportagens. A PF ainda cumpriu mandado em casa de um advogado por transferência bancária de 100 mil reais, supostamente usada para compra de imóvel.
A coordenadora do Comitê para a Proteção de Jornalistas para a América Latina, Cristina Zahar, declarou que a quebra de sigilo compromete a relação entre jornalistas e suas fontes. Ela afirmou que a violação envia uma mensagem de risco de perseguição jurídica para quem passa informações à imprensa.
A Sociedade Interamericana de Imprensa também criticou a decisão, classificando a quebra de sigilo como grave ameaça ao jornalismo nacional. O Supremo Tribunal Federal não respondeu ao pedido de comentário sobre o caso feito pela entidade.


