Deputados e senadores utilizam a inteligência artificial (IA) como ferramenta de apoio para resumir projetos, transcrever entrevistas e cruzar dados em seus gabinetes. Embora a tecnologia agilize a organização de informações e a produção audiovisual, a elaboração de projetos de lei continua dependendo majoritariamente de análise humana para evitar erros técnicos.
A equipe da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) usa a tecnologia para otimizar tarefas e produzir resumos. A parlamentar afirmou que a ferramenta faz parte do dia a dia, mas não substitui a revisão integral dos textos. Já o deputado Kim Kataguiri (SP) utiliza a IA para acompanhar a tramitação de propostas e desenvolver sistemas internos, relatando que atividades que levavam semanas agora são concluídas em 30 minutos. Kataguiri disse, porém, evitar o uso da ferramenta para jurisprudência e elaboração de leis por considerar que os sistemas ainda não são confiáveis.
No Senado, a liderança do União Brasil usa a IA para analisar pontos positivos e negativos de propostas polêmicas. A assessoria do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) recorre à tecnologia para tratar de notas técnicas e proposições extensas que superam o conhecimento jurídico da equipe. O líder do MDB na Câmara, deputado Isnaldo Bulhões (AL), e a liderança do PL também utilizam a ferramenta para checagem de informações e compilação de dados.
O Republicanos na Câmara implementou o uso da IA para monitorar redes sociais, organizar agendas de comissões e subsidiar a formulação de políticas públicas. Para evitar que os textos pareçam artificiais, o partido desenvolveu o chamado “Método Voz Única”, que busca preservar a identidade individual de cada político. A legenda informou que nenhum documento produzido com auxílio tecnológico é protocolado sem a análise de dois ou três assessores.
A preocupação com as “alucinações” — quando a IA apresenta dados falsos como verdadeiros — leva gabinetes a restringirem o uso. A equipe do senador Sérgio Moro (PL-PR) utiliza a ferramenta apenas para imagens de apoio, descartando a automação de respostas em redes sociais. No extremo oposto, a assessoria da deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) não utiliza a tecnologia, definindo o trabalho como 100% artesanal por decisão política.
Para mitigar riscos, partidos como PL, União Brasil e Republicanos oferecem capacitação e cursos sobre o uso ético da tecnologia. Em 2026, o Republicanos realizou seminários em diferentes estados sobre proteção de dados e inteligência artificial.


