O coordenador-geral do programa de governo da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, o economista José Sergio Gabrielli, defende que o Tesouro Nacional realize a recompra de títulos públicos para reduzir os juros de longo prazo. A medida busca controlar os encargos da dívida pública e estabilizar o mercado.
Gabrielli afirmou que a intervenção do Tesouro Nacional no mercado de títulos seria semelhante à ação adotada pelo governo dos Estados Unidos na semana passada. Segundo o economista, o crescimento da dívida pública brasileira é causado pelos encargos dos juros, e não pelo aumento das despesas do governo.
A proposta contrasta com o posicionamento do setor privado, que defende a aplicação de medidas de restrição fiscal para conter os gastos públicos. O coordenador também indicou que a campanha de Lula discute a elevação do Imposto de Renda para as maiores rendas em um eventual próximo mandato, ampliando as mudanças que entraram em vigor em 2026.
O Tesouro Nacional já utiliza a recompra de papéis para atuar em períodos de instabilidade. Em março, o órgão realizou a aquisição de quase R$ 30 bilhões em títulos, diante da previsão de manutenção da taxa Selic em patamar elevado. Na ocasião, o movimento foi a maior atuação do órgão no mercado de juros desde 2020.
Gabrielli criticou editorial que defendia a redução urgente de despesas federais para evitar crise fiscal, afirmando que o texto colocou o país em situação de risco. Embora coordene o programa de governo, o economista não é o porta-voz oficial da campanha. Suas declarações sobre o arcabouço fiscal provocaram movimentações do ministro da Fazenda, Dario Durigan, para reduzir os impactos no mercado.

