A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), encerrada nesta sexta-feira (28) em Ulaanbaatar, na Mongólia, terminou sem a assinatura de um acordo global para enfrentar as secas. A decisão de adiar as discussões para a COP18, que ocorrerá no Egito, foi criticada por organizações ambientais e especialistas.
O impasse central envolve a criação de um mecanismo multilateral coordenado, defendido por países africanos há três conferências. A proposta prevê ajuda financeira para que nações vulneráveis consigam se antecipar e recuperar de eventos extremos. Atualmente, instrumentos como o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) tratam a questão sob o tema amplo de degradação das terras, e não especificamente como seca.
Países desenvolvidos resistem a um acordo obrigatório e defendem a adesão voluntária. A União Europeia, especificamente, evita compromissos com gastos externos enquanto lida com crises hídricas em seu próprio território. Richard Lee, da organização Wetlands Internacional, afirmou que o adiamento de dois anos custará a economia e a vida de comunidades em todo o mundo.
O especialista do Instituto Escolhas, Rafael Giovanelli, disse que os governos falharam ao transferir o debate para a próxima edição do evento. Christine Colvin, da WWF Global, informou que a ambição sobre o tema se esvaziou na COP17, resultando na ausência de uma base forte para a construção de ações concretas.
Apesar da falta de consenso político, foram lançadas iniciativas paralelas. O Mecanismo de Investimento para Resiliência à Seca (DRIF), criado pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) e Luxemburgo, com apoio da Aliança Internacional para a Resiliência à Seca (IDRA), pretende mobilizar até US$ 400 milhões em recursos públicos e privados para agricultura sustentável e segurança hídrica.
Outra ferramenta apresentada foi a segunda fase do Observatório Internacional de Resiliência à Seca (IDRO), que introduziu o Índice de Resiliência à Seca (DRI). O sistema visa auxiliar países a avaliarem a capacidade de preparação e adaptação a períodos de escassez de água.

