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Desemprego cai, mas renda média real estagna no Brasil

Carla Fernandes
Última atualização: 14 de agosto de 2026 14:07
Carla Fernandes
Tempo: 2 min.

O mercado de trabalho brasileiro registra taxa de desemprego de 5,4% no segundo trimestre de 2026, o menor patamar desde 2012, segundo dados da PNAD Contínua divulgados pelo IBGE. Embora a busca por vagas tenha diminuído 15,6% entre quem procura há mais de dois anos, a expansão do emprego não se reflete em aumento de renda.

O rendimento médio real permaneceu estagnado, atingindo R$ 3.795. Analistas apontam que a força do emprego não se converteu em ganhos de poder de compra. Letícia Moschioni, sócia da Finscale, declarou que a melhora nos indicadores ocorre mais pelo volume de pessoas ocupadas do que pelo avanço salarial individual.

A distribuição das vagas mostra assimetrias. Homens brancos lideram a absorção de postos, enquanto mulheres, pretos e pardos ficam na base das contratações. O desemprego entre mulheres foi de 6,4%, contra 4,6% registrado entre homens. A taxa entre brancos foi de 4,2%, comparada a 6,1% entre pardos e 6,9% entre pretos.

A geografia do mercado também apresenta disparidades. Estados do Norte e Nordeste registraram as maiores taxas de desocupação, com Amapá em 9,8%. Em contraste, Santa Catarina teve a menor taxa, com 2,1%. Rodolpho Tobler, economista da FGV/Ibre, alertou que é preciso desenhar políticas públicas para corrigir essas disparidades estruturais ao longo do tempo.

A situação influencia a política monetária. Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra, afirmou que a ociosidade em regiões como Norte e Nordeste gera escassez de mão de obra no Sul e Centro-Oeste, elevando custos locais. Esse cenário reforça a cautela do Banco Central em manter os juros em patamares restritivos.

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