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Desvantagem tarifária brasileira nos EUA salta quase sete pontos

Carla Fernandes
Última atualização: 15 de agosto de 2026 14:21
Carla Fernandes
Tempo: 2 min.

A desvantagem tarifária que produtos brasileiros pagam ao exportar para os Estados Unidos aumentou de 0,8 para 7,5 pontos percentuais. O cálculo, feito por um economista da MB Associados, aponta o Brasil como o segundo pior acesso ao mercado americano, atrás apenas da China.

As mudanças ocorreram após a entrada em vigor de novas tarifas de 25%, impostas pelo presidente americano, Donald Trump. Essas taxas são exclusivas para produtos brasileiros e derivam de investigações sobre práticas comerciais consideradas injustas. Além disso, aplicaram-se alíquotas entre 10% e 12,5% a diversos países, incluindo o Brasil, por acusações de negligência em importações feitas com trabalho forçado.

Antes das novas sobretaxas, a taxa efetiva média brasileira era de 10,3%, enquanto a dos concorrentes era de 9,5%. Com a implementação das novas regras, a tarifa brasileira subiu para 16,6%, enquanto a média efetiva dos demais países caiu para 9,1%. O economista Sergio Vale declarou que, para quase todos os países, a substituição da tarifa global de 10% por novas regras foi um alívio, mas para o Brasil, a tarifa exclusiva de 25% gerou um impacto negativo.

A gerente de política comercial da CNI, Constanza Negri Biasutti, informou que o governo Lula estima que 47,3% das exportações brasileiras são afetadas pelas tarifas de Trump. A tendência é que o aumento das tarifas reduza a competitividade brasileira. Vale calculou que a perda de exportações aos EUA pode variar entre US$ 1,7 bilhão e US$ 3,6 bilhões no primeiro ano.

Welber Barral, advogado e ex-secretário de comércio exterior, apontou que os exportadores de commodities industriais e os setores com alta concorrência estrangeira, como calçados e têxteis, são os mais prejudicados. Lia Valls, pesquisadora associada do Ibre, acrescentou que pequenas e médias empresas enfrentam maior dificuldade para diversificar mercados diante da perda de competitividade.

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