A dívida pública brasileira chegou a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em julho, o maior patamar registrado desde abril de 2021. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (31) pelo Banco Central, apontando uma alta de 0,6 ponto percentual em relação ao mês de junho.
A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) soma R$ 10,9 trilhões e engloba as contas do governo federal, estados, prefeituras e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). No acumulado do ano, o indicador subiu 3,9 pontos percentuais do PIB. Em dezembro de 2022, a dívida estava em 71,68%.
O Banco Central informou que a alta mensal foi impulsionada pelos juros nominais apropriados (0,8 p.p.) e emissões líquidas de dívida pública (0,2 p.p.), enquanto a variação do PIB nominal teve efeito negativo de 0,5 p.p. Já a variação anual foi influenciada por juros nominais (5,7 p.p.) e emissões líquidas (1,5 p.p.).
Nesta segunda-feira (31), o governo Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional o Orçamento de 2027. O texto prevê um superávit primário efetivo de R$ 20 bilhões, a meta mais positiva enviada ao Legislativo em mais de 10 anos. O presidente Lula minimizou a alta do endividamento em entrevista concedida na última semana.
O Tesouro Nacional projetou, em relatório de junho, que a dívida atingiria o pico de 87,9% do PIB em 2029 antes de cair. Estimativas do mercado financeiro, porém, são mais pessimistas e não indicam estabilização para os próximos anos. Especialistas defendem a urgência de medidas de ajuste nas contas públicas pelos candidatos ao Palácio do Planalto.
Em julho, o setor público registrou um superávit primário de R$ 1,4 bilhão. No mesmo período do ano anterior, o resultado havia sido um déficit de R$ 66,6 bilhões.


