O dólar à vista fechou com alta de 0,22%, cotado a R$ 5,1518, nesta quarta-feira (26). O movimento acompanhou a valorização da moeda norte-americana no exterior e o avanço das taxas dos Treasuries, após a divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos acima das expectativas para o mês de julho.
A moeda americana registrou mínima de R$ 5,1405 e máxima de R$ 5,1655. Com o resultado, a variação positiva na semana chega a 0,13% e a alta acumulada em agosto é de 1,61%. No ano, as perdas da divisa em relação ao real são de 6,14%.
O índice de preços de gastos de consumo (PCE), utilizado pelo Federal Reserve (Fed), avançou 0,2% no último mês, superando o consenso de mercado de 0,1%. O resultado mantém a expectativa de que os juros nos EUA permaneçam em nível restritivo. Segundo a ferramenta CME FedWatch, 64% dos investidores preveem a manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% em setembro.
No Brasil, o cenário é marcado por incertezas políticas diante da proximidade da eleição presidencial. Ricardo Chiumento, head da Tesouraria do BS2, afirmou que a taxa de câmbio já reflete a perspectiva de uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O estrategista Ronaldo Patah, do UBS Wealth Management, avaliou que a volatilidade deve aumentar com a intensificação das campanhas.
O Ibovespa encerrou o pregão em estabilidade, com alta de 0,01%, na faixa dos 174 mil pontos. O índice chegou a subir 0,98% no início do dia, mas perdeu força após a divulgação do PCE. A deflação de 0,40% do IPCA-15 em agosto trouxe alívio momentâneo aos juros futuros, mas a pressão externa limitou a queda das taxas locais.
Atenção do mercado agora se volta para o Simpósio de Jackson Hole, com a fala do presidente do Fed, Kevin Warsh, prevista para esta sexta-feira (28). No mercado doméstico, a curva de juros aponta 87% de chance de corte de 0,25 ponto porcentual na Selic em setembro.


