O uso de drones equipados com granadas por facções criminosas no Rio de Janeiro atingiu a área de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste. Equipamentos usados em ataques cruzaram o corredor visual de helicópteros que se aproximam do aeroporto, elevando o risco de colisão.
Um incidente recente ocorreu na Favela dos Irmãos, em Curicica, onde um drone adaptado com granada foi empregado contra membros de uma facção rival. Estilhaços do artefato atingiram a perna de um homem. A Polícia Militar prendeu dois homens envolvidos no ataque e apreendeu o drone, granadas caseiras e dinheiro.
Pilotos de helicópteros que operam no Aeroporto de Jacarepaguá relataram que o trajeto do drone cruza uma área sensível para a aviação. As regras do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) proíbem o sobrevoo de drones perto de aeroportos, risco maior durante aproximação e decolagem.
O uso dos dispositivos transformou-os em uma nova ferramenta na disputa entre facções. As investigações da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) indicam que os criminosos também criaram barreiras para dificultar o monitoramento aéreo pelas forças de segurança.
Além do perigo para a aviação, moradores das áreas disputadas relatam temor. Um relato mencionou um drone que caiu na piscina de uma residência durante a noite. As autoridades enfrentam o desafio de que drones são equipamentos facilmente acessíveis, embora o uso seja regulamentado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pelo Decea.


