A economia da Alemanha tornou-se alvo crescente de serviços de inteligência estrangeiros, segundo relatório publicado nesta quarta-feira (26) pela associação de tecnologia da informação Bitkom. O estudo indica que 37% das empresas afetadas por roubo de dados, espionagem industrial ou sabotagem atribuíram ao menos um ataque a esses atores.
O índice subiu em relação aos 28% registrados no ano anterior e aos 7% contabilizados em 2023. A pesquisa ouviu 1.003 executivos de companhias com dez ou mais funcionários entre abril e junho. No total, 96% das empresas relataram ter sido afetadas ou suspeitar de ataques dessa natureza, com prejuízos estimados entre 211 bilhões e 270 bilhões de euros.
Entre as empresas que confirmaram a origem das invasões, 52% detectaram a China e 49% a Rússia. Países do Leste Europeu fora da União Europeia apareceram em 34% dos casos, seguidos pelos Estados Unidos, com 27%. O volume de ataques atribuídos ao Irã mais que dobrou anualmente, chegando a 9%. Apesar da alta em ataques estatais, grupos de crime organizado seguem como os principais suspeitos, respondendo por 62% das ocorrências.
O Departamento Federal para a Proteção da Constituição da Alemanha (BfV) alerta que governos estrangeiros utilizam grupos cibercriminosos e agentes de baixo escalão para enfraquecer o apoio à Ucrânia. O presidente do BfV, Sinan Selen, informou que empresas de defesa e centros de pesquisa de drones são alvos prioritários, inclusive com o uso de agentes recrutados dentro da Alemanha.
A Bitkom aponta que a inteligência artificial (IA) tem sido usada para agilizar as ofensivas, dificultando a defesa das companhias. Enquanto isso, o orçamento destinado à segurança de TI permanece estagnado, representando, em média, 18% dos gastos totais da área. Apenas 67% das empresas conseguiram confirmar definitivamente a ocorrência de um ataque bem-sucedido, queda comparada aos 87% do ano anterior.


