Enchentes repentinas atingiram o Nepal nesta quarta-feira (26), deixando centenas de mortos e mais de 1,3 mil pessoas desaparecidas, incluindo centenas de estrangeiros. O governo declarou os distritos de Nuwakot, Rasuwa e Dhading como as áreas mais afetadas, onde diversas aldeias permanecem isoladas e sem comunicação com a capital, Katmandu.
As autoridades informaram que mais de três dezenas de pontes e 12 barragens hidrelétricas foram destruídas. A principal ponte sobre o rio Trishuli, que conecta a sede do distrito à capital, foi levada pela correnteza. No distrito de Nuwakot, moradores relatam que a falta de energia elétrica e de sinal de telefonia móvel impede a atualização sobre vítimas em áreas remotas.
O ministro da Informação e Comunicação, Bikram Timilsina, afirmou que o sistema estatal não havia imaginado um desastre dessa magnitude. Segundo o ministro, o governo mobilizou mais de 12 helicópteros para o resgate. Até o meio-dia desta quinta-feira (27), 414 pessoas ilhadas, entre elas 164 estrangeiros, foram transportadas por via aérea para locais seguros.
Uma política da oposição em Nuwakot, Usha Kiran Timsena, disse que a polícia e autoridades locais emitiram alertas, mas muitos moradores não levaram em conta a escala e a velocidade da água. Residentes da aldeia de Sole relataram que a enchente chegou repentinamente, impedindo a fuga de quem não estava em terrenos elevados.
Cientistas debatem a causa do evento. Sudip Thakuri, professor da Universidade Tribhuvan, explicou que avaliações preliminares indicam que uma avalanche na fronteira entre o Nepal e a China bloqueou um rio. O rompimento dessa barragem natural teria arrastado um lago subglacial, provocando as inundações.
Autoridades chinesas alertaram que um lago em Gyirong, no Tibete, já está transbordando. A previsão é que outros 3 milhões de toneladas de água entrem no reservatório nos próximos três dias, o que pode gerar novas inundações na região.

