Setenta e cinco vírgula oito por cento dos lares em Goiás possuíam dívidas em março de 2026, segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice registrou alta de onze vírgula seis pontos percentuais em comparação com março de 2025.
Em Goiás, 38,6% das famílias apresentavam contas em atraso. Entre os devedores, apenas uma em cada cinco relatou condições de regularizar os débitos. O endividamento varia conforme a renda; famílias que recebem até dez salários mínimos atingem 77,7% de endividamento. Em nível nacional, o levantamento aponta que 84,9% das famílias com renda de até três salários mínimos estavam endividadas em julho de 2026.
O cartão de crédito segue como a modalidade de dívida mais presente no estado e no país. Especialistas apontam que o uso desse recurso para despesas básicas pode aumentar o comprometimento da renda, especialmente quando os pagamentos não são feitos integralmente, levando ao crédito rotativo ou parcelamentos com juros altos.
A inflação também influencia o orçamento doméstico. Em junho de 2026, o IPCA acumulava alta de 4,64% em doze meses. As apostas online, ou bets, somam-se à pressão financeira, retirando cerca de R$ 143 bilhões do comércio varejista entre 2023 e 2026, o que contribuiu para a inadimplência de aproximadamente 270 mil famílias no Brasil.
O programa Novo Desenrola Brasil, lançado pelo governo federal em 2026, movimentou R$ 44,1 bilhões em renegociações em três meses. Na frente familiar, foram realizadas 3,5 milhões de operações, totalizando R$ 20,9 bilhões, com desconto médio de 82% sobre o saldo devedor.


