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Exercícios físicos não anulam danos do cigarro no corpo

Carla Fernandes
Última atualização: 30 de agosto de 2026 14:30
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) lançou a campanha “Atividade Física e Saúde: Treinar não Combina com Fumar” para alertar que a prática de exercícios não compensa os danos causados pelo uso de cigarros e outros produtos de nicotina. A iniciativa ocorre em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado neste sábado (29).

A nicotina contrai os vasos sanguíneos, o que diminui o fluxo de sangue para órgãos e músculos. A substância reduz a capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue e inflama as vias aéreas, tornando o esforço físico maior para realizar atividades simples em comparação a quem não fuma.

Segundo a psicóloga Vera Borges, especialista no tratamento do tabagismo do INCA, todos os ganhos da atividade física são perdidos devido aos prejuízos trazidos pelos derivados do tabaco. A especialista integra a Divisão de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco do órgão.

Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que o consumo de tabaco mata cerca de 8 milhões de pessoas anualmente no mundo. Desse total, 1,3 milhão de mortes decorrem do fumo passivo, expondo indivíduos ao risco de diabetes tipo 2, derrames, câncer e doenças cardíacas ou respiratórias.

No Brasil, 20,4 milhões de pessoas, o equivalente a 12,8% da população, são afetadas por esses produtos. Entre estudantes de 13 a 17 anos, 18,5% relataram ter experimentado cigarro ao menos uma vez. O INCA aponta que 477 pessoas morrem precocemente todos os dias no país por problemas ligados ao tabagismo.

O diretor-geral do INCA, Gilberto Gil, afirmou que a instituição enfrenta novas situações que ameaçam as conquistas obtidas no combate ao hábito. A campanha também foca no público jovem, alertando contra o uso de dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), frequentemente vistos como menos prejudiciais ao condicionamento físico.

O tratamento para parar de fumar é gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por meio do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), coordenado pelo Ministério da Saúde e pelo INCA. O paciente deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação médica, podendo receber suporte individual, em grupo ou medicamentos como bupropiona e adesivos de nicotina.

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