Registros da Lei de Acesso à Informação (LAI) indicam que Fábio Luís Lula da Silva esteve no Palácio do Planalto dezoito vezes desde junho de dois mil e vinte e três. Os acessos, ocorridos em quinze dias distintos, totalizaram vinte e três horas e vinte e seis minutos, segundo o Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
A documentação surge em meio a investigações da Polícia Federal sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo o empresário. Mensagens apreendidas pelos investigadores mostram que Lulinha contatava pessoas ligadas ao núcleo do governo. Ele teria participado de reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente Lula, e Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde.
Os diálogos também incluem a lobista Roberta Luchsinger, que atuava com empresários buscando influência para contratos públicos. A PF identificou repasses de R$ 1,5 milhão feitos por Antonio Carlos Camilo Antunes a Roberta. Em uma dessas transferências, o empresário mencionou que os recursos seriam para o “filho do rapaz”, expressão interpretada pelos investigadores como referência a Lulinha.
Outro registro mostra Lulinha orientando Roberta a emitir nota fiscal para Cleber Ribas, proprietário da 3Structure It Ltda., empresa que recebeu mais de R$ 80 milhões em contratos federais, conforme a investigação. Ele também pediu que a lobista convidasse Carlos Eduardo Gabas, ex-ministro da Previdência, para um encontro na Bahia.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que as visitas de Lulinha ao Planalto ocorreram para encontrar amigos e o pai, negando tratar de assuntos da administração pública. A Secom declarou que os acessos tiveram caráter privado e não geraram desdobramentos administrativos.


