Dois funcionários do Aeroporto de Frankfurt morreram após contraírem malária transmitida por mosquitos que chegaram à Alemanha em voos de regiões onde a doença é endêmica, informou o departamento de saúde da cidade nesta quarta-feira (27).
A primeira morte ocorreu no início de julho, com a causa identificada apenas após o falecimento do paciente. O segundo óbito foi registrado em agosto. Ao todo, seis trabalhadores contraíram a malária tropical, a forma mais grave da doença, durante o exercício de suas funções. Quatro deles estão em processo de recuperação.
O Instituto Nacional de Saúde Pública Robert Koch (RKI) informou que as pessoas adoeceram entre 4 e 6 de julho de 2026. A hipótese mais provável é que a transmissão tenha ocorrido por meio de um mosquito do gênero Anopheles infectado, transportado em uma aeronave.
A operadora do aeroporto, Fraport, instalou armadilhas para capturar insetos nas áreas afetadas e encaminhou as amostras para análise laboratorial. Peter Tinnemann, diretor da Secretaria de Saúde de Frankfurt, afirmou que o mosquito provavelmente já morreu e que não há risco de transmissão entre pessoas ou ameaça significativa para a população local.
A malária aeroportuária é classificada como um evento muito raro, ocorrendo quando o inseto chega ao país em aviões ou bagagens. Um estudo sobre episódios desse tipo na Europa entre 1969 e 2024 identificou 145 casos, sendo nove na Alemanha. O último registro ocorreu em 2023, também em Frankfurt.
O RKI orientou que médicos considerem a infecção por malária ao atender profissionais de aeroportos com conexões intercontinentais que apresentem febre sem causa aparente, mesmo sem histórico de viagens. A médica Regina Ellwanger Berry, da Secretaria de Saúde de Frankfurt, explicou que a raridade do evento geralmente exclui a doença das hipóteses diagnósticas iniciais, mas ressaltou que existe tratamento eficaz se o diagnóstico for correto.


