O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, negou nesta sexta-feira (28) ter pago propina a Belline Santana e Paulo Sérgio de Souza, ex-funcionários do Banco Central (BC), em troca de informações privilegiadas. O empresário prestou depoimento formal à Polícia Federal (PF) após ter retornado à prisão no dia 4 de março.
A investigação busca esclarecer a possível corrupção de agentes públicos em favor da instituição. Segundo a PF, Belline Santana, ex-chefe do departamento de Supervisão Bancária do BC, teria atuado como consultor informal de Vorcaro, revisando documentos do banco antes do envio oficial à autoridade monetária. Os pagamentos teriam sido feitos via empresa de fachada operada por Fabiano Zettel, cunhado do empresário.
A defesa de Vorcaro informou, em nota, que o depoimento foi a primeira oportunidade de o empresário se manifestar sobre os fatos e responder a insinuações. O texto afirma que ele negou a prática de atos de corrupção envolvendo os servidores citados e demonstrou disposição para esclarecer a situação de forma ampla.
O caso integra a Operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025 e autorizada pela 10ª Vara Federal de Brasília. O processo tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça. Vorcaro está detido na Papudinha.
As apurações já passaram por 10 fases, com bloqueios que superaram R$ 5,7 bilhões na segunda etapa, em janeiro de 2026. A operação investiga o uso de fundos fraudulentos para maquiar caixas do banco e envolveu buscas contra políticos, como o senador Ciro Nogueira e o ex-governador Cláudio Castro, além de apurações sobre espionagem contra jornalistas.


