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Leitura: Genética acelera sintomas de depressão em crianças e jovens
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Genética acelera sintomas de depressão em crianças e jovens

Carla Fernandes
Última atualização: 30 de agosto de 2026 06:25
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

Crianças e jovens com maior predisposição genética à depressão apresentam sintomas mais intensos e com progressão mais rápida durante a adolescência. A conclusão é de um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), publicado no periódico Biological Psychiatry.

A pesquisa acompanhou mais de 2 mil estudantes de escolas públicas, com idades entre seis e 23 anos, para investigar o risco poligênico — a combinação de alterações genéticas que elevam a chance de desenvolver o transtorno. Os dados indicam que, entre pacientes com Transtorno Depressivo Maior, a carga genética mais alta está associada a uma maior frequência de autolesão não suicida.

O trabalho buscou testar a eficácia de ferramentas genéticas em populações miscigenadas, que possuem pouca representatividade na genética psiquiátrica global. Segundo Marcelo Brañas, pesquisador da Faculdade de Medicina da USP e coautor do artigo, o objetivo foi entender se a genética define apenas o início do transtorno ou se molda a evolução dos sintomas conforme o jovem cresce.

A depressão é considerada multifatorial. Estimativas indicam que 37% do desenvolvimento do transtorno em nível populacional está relacionado à genética, enquanto fatores ambientais, como bullying, conflitos familiares e dificuldades socioeconômicas, completam o quadro. No entanto, a parte do DNA que a ciência consegue medir diretamente explica entre 2% e 6% dessa variação.

Para o cálculo, os pesquisadores utilizaram o escore poligênico, uma soma ponderada de variações nas bases do DNA. No grupo estudado, esse índice explicou entre 2,6% e 3,6% das diferenças no risco de Transtorno Depressivo Maior, sendo mais específico para esse quadro do que para ansiedade ou transtorno bipolar.

Embora o instrumento possa ter utilidade clínica no futuro, Brañas afirmou que a aplicação prática para diagnósticos laboratoriais ainda está distante. O médico mencionou a necessidade de discutir as implicações éticas e os possíveis impactos psicológicos de informar pacientes e familiares sobre riscos genéticos.

Os voluntários fazem parte da Coorte Brasileira de Alto Risco para Condições Mentais, projeto que acompanha 2.500 crianças e adolescentes em São Paulo e Porto Alegre há mais de 15 anos. A iniciativa é vinculada ao Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental.

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