Algumas grandes gestoras globais mantêm exposição aos títulos públicos brasileiros, vendo no mercado local um destaque entre emergentes. Elas apontam juros altos e queda do IPCA como fatores que sustentam um dos maiores juros reais do mundo.
O Morgan Stanley Investment Management mantém exposição acima da média em dívida emergente em moeda local, focando nos títulos brasileiros. A casa de análise afirma que juros acima de 14% e inflação próxima da meta abrem caminho para o Banco Central reduzir a taxa básica. Segundo o relatório, juros menores impulsionam o crescimento e atraem investidores.
A Fidelity International também favorece mercados latino-americanos, citando a credibilidade dos bancos centrais no controle inflacionário. A gestora compara o Brasil a países asiáticos, avaliando que o desempenho futuro da dívida local dependerá mais da escolha específica do país do que da classe como um todo.
Em contraste, o HSBC Asset Management adota postura mais cautelosa, não colocando o Brasil entre suas opções preferidas. O banco observa que o fechamento da diferença entre juros reais emergentes e americanos limita o potencial de ganhos. Ele reconhece, contudo, que o início precoce do ciclo de alta de juros no Brasil e México deu margem de manobra aos seus bancos centrais.
Enquanto isso, o fluxo de capital estrangeiro na renda variável segue negativo. Dados da B3 mostram que investidores retiraram R$ 5,55 bilhões da Bolsa até sete de agosto, levando o Ibovespa a perder 170 mil pontos. O JPMorgan rebaixou o Brasil de overweight para neutro, reduzindo sua projeção para o final de 2026.

